AUTOR: BOURDIEU, Pierre (1990)•.
TEXTO: Os excluídos do interior
BOURDIEU, Pierre. Os excluídos do interior. In:____NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio (orgs). Escritos da Educação. Petrópolis: Vozes, 1990. p. 218-227.
Iandeci Lima Bonfim *
Pierre Bourdieu nasceu no sudeste da França em 1930, foi catedrático de sociologia no Collége de France e considerado um dos intelectuais mais influente de sua época, estudou Filosofia, Etnologia e teve como objetivos de estudo a educação, a cultura, a literatura, a arte, os meios de comunicação e a política, é autor, entre outras obras, de Les Héritiers (1964), La Reprodução (1970) e La Distinction (Final dos anos 70). Bourdieu faleceu em Paris, no ano de 2001, aos 71 anos.
No texto “Os excluídos do interior”, Bourdieu toma os Liceus como campo empírico de estudo, discute a clivagem entre escolarizados e os excluídos da escola, mostrando que a diminuição das barreiras formais no sistema de ensino e conseqüente ampliação do acesso não representam superação das tradicionais condições sociais, mantendo-se assim, os mecanismos de desigualdade. Em conseqüência disso, os mais desfavorecidos estão dentro do sistema iludidos sobre suas reais possibilidades de superação das condições sociais.
Bourdieu faz uma comparação entre antes e depois dos anos 50: antes as escolas de ensino secundário eliminavam de forma prematura e desumana as crianças oriundas de famílias culturalmente desfavorecidas e as seleções tinham como base a situação social; após os anos 50, crianças e jovens provenientes de pais com profissões manuais (pequenos comerciantes, os artesões, agricultores, operários de indústrias) passaram a ter acesso a escolas de ensino secundário, ocasionando o aumento de concorrência e investimentos por parte das categorias mais favorecidas. Mas, aos poucos os novos beneficiários perceberam que o acesso ao ensino secundário não lhes garantiam êxito nele e nem tão pouco, os certificados escolares, lhes garantiam acesso às posições sociais por eles almejadas.
O autor considera que este processo de democratização do ensino provoca um caráter de responsabilização do individuo, pois após receber o seu diploma desvalorizado, o mesmo se acha responsável por não ter utilizado a chance que lhe foi dada, tornando essa exclusão mais cruel do que e a exclusão ocorrida antes dos anos 50. Isso gera uma disfunção que serve como base da democratização, e que tem como elementos mecanismos insensíveis e inconscientes tanto da sociedade , da escola, do professor, quanto do próprio aluno que leva ao reconhecimento de que este indivíduo não está em sintonia com o mundo escolarizado.
Bourdieu cita que “O paradoxo do mentiroso não é nada ao lado das dificuldades que provoca a mentira a si mesmo.” (...) “Aquele que tende a fazer sua a mentira que a instituição proclama a seu respeito está votado, por definição, à dupla consciência...”.
Desse modo, o mecanismo de diferenciação de oportunidades e capital cultural entre alunos “bem nascidos” e aqueles que são procedentes de famílias mais desprovidas, fazem com que as mais altas instituições escolares continuem sendo exclusivas como foram no passado e o sistema de ensino, amplamente aberto a todos e reservado a poucos, consiga a façanha de reunir as aparências da “democratização” com a realidade da reprodução que se realiza em um grau superior de dissimulação. Bourdieu associa o resultado da produção escolar dos alunos ao capital cultural familiar. Em contrapartidas e essa conciliação surgem manifestações dos estudantes dos liceus, e que nos últimos 20 anos tem tido como objeto os estabelecimentos escolares mais deserdado.
A escola passa agora a excluir de maneira continua mantendo internamente aqueles que excluem, por essa razão, esses excluídos do interior vive um dúvida: aceitar a ilusão que ela propõe e aceitar a sua sentença, entre a submissão ansiosa e a revolta impotente.
“Os excluídos do interior” é um texto empolgante e de fácil compreensão, por se tratar de um tema bastante atual, que apesar de relatar a realidade do sistema de ensino francês e o seu processo de exclusão através da inclusão, nos leva à reflexão do sistema de ensino brasileiro.
________________________________________________
* Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Iandecilima@gmail.com .


6 comentários:
É plenamente atual os excluídos do interior com a realidade do sistema de ensino público brasileiro, posto que é preciso o governo federal criar vagas para alunos das escolas públicas no aceso as universidades, como forma de reconhecer essa desigualdade cultural.
Essas vagas já foram criadas e o aluno ingressa no ensino superior prestando o ENEM na Universidade publica ingressa pelo SISU e na privada pelo Pro uni.
O problema esta em como foi descrito no livro que mesmo garantido o acesso ao nível superior o processo de exclusão seja continuo e os alunos que não vem de famílias abastadas e com capital cultural menor ao ingressarem no mercado de trabalho não alcance exito como aqueles de famílias mais abastadas e capital cultural mais elevado e com maior chance de empregabilidade por conhecerem um numero maior de abastados que lhes garantiram vagas em suas empresas.
Fora isso tem a questão de os oriundos de escolas públicas que ingressão no ensino superior vem com uma bagagem de conhecimento em defasagem com relação aos que vem da particular o que dificultam o seu aproveitamento nas disciplinas sem uma contrapartida de reforço por essas instituições de ensino o que levam muitos a evasão o que lhes gera uma frustração ainda maior do que se não tivessem ingressados porque da a impressão que a oportunidade lhes fora dada e eles não conseguiram exito por sua unica e exclusiva causa.
Devalcir Sonnemberg.
sonnem_berg@hotmail.com
Essas vagas já foram criadas e o aluno ingressa no ensino superior prestando o ENEM na Universidade publica ingressa pelo SISU e na privada pelo Pro uni.
O problema esta em como foi descrito no livro que mesmo garantido o acesso ao nível superior o processo de exclusão seja continuo e os alunos que não vem de famílias abastadas e com capital cultural menor ao ingressarem no mercado de trabalho não alcance exito como aqueles de famílias mais abastadas e capital cultural mais elevado e com maior chance de empregabilidade por conhecerem um numero maior de abastados que lhes garantiram vagas em suas empresas.
Fora isso tem a questão de os oriundos de escolas públicas que ingressão no ensino superior vem com uma bagagem de conhecimento em defasagem com relação aos que vem da particular o que dificultam o seu aproveitamento nas disciplinas sem uma contrapartida de reforço por essas instituições de ensino o que levam muitos a evasão o que lhes gera uma frustração ainda maior do que se não tivessem ingressados porque da a impressão que a oportunidade lhes fora dada e eles não conseguiram exito por sua unica e exclusiva causa.
Devalcir Sonnemberg.
sonnem_berg@hotmail.com
Essas vagas já foram criadas e o aluno ingressa no ensino superior prestando o ENEM na Universidade publica ingressa pelo SISU e na privada pelo Pro uni.
O problema esta em como foi descrito no livro que mesmo garantido o acesso ao nível superior o processo de exclusão seja continuo e os alunos que não vem de famílias abastadas e com capital cultural menor ao ingressarem no mercado de trabalho não alcance exito como aqueles de famílias mais abastadas e capital cultural mais elevado e com maior chance de empregabilidade por conhecerem um numero maior de abastados que lhes garantiram vagas em suas empresas.
Fora isso tem a questão de os oriundos de escolas públicas que ingressão no ensino superior vem com uma bagagem de conhecimento em defasagem com relação aos que vem da particular o que dificultam o seu aproveitamento nas disciplinas sem uma contrapartida de reforço por essas instituições de ensino o que levam muitos a evasão o que lhes gera uma frustração ainda maior do que se não tivessem ingressados porque da a impressão que a oportunidade lhes fora dada e eles não conseguiram exito por sua unica e exclusiva causa.
Devalcir Sonnemberg.
sonnem_berg@hotmail.com
Essas vagas já foram criadas e o aluno ingressa no ensino superior prestando o ENEM na Universidade publica ingressa pelo SISU e na privada pelo Pro uni.
O problema esta em como foi descrito no livro que mesmo garantido o acesso ao nível superior o processo de exclusão seja continuo e os alunos que não vem de famílias abastadas e com capital cultural menor ao ingressarem no mercado de trabalho não alcance exito como aqueles de famílias mais abastadas e capital cultural mais elevado e com maior chance de empregabilidade por conhecerem um numero maior de abastados que lhes garantiram vagas em suas empresas.
Fora isso tem a questão de os oriundos de escolas públicas que ingressão no ensino superior vem com uma bagagem de conhecimento em defasagem com relação aos que vem da particular o que dificultam o seu aproveitamento nas disciplinas sem uma contrapartida de reforço por essas instituições de ensino o que levam muitos a evasão o que lhes gera uma frustração ainda maior do que se não tivessem ingressados porque da a impressão que a oportunidade lhes fora dada e eles não conseguiram exito por sua unica e exclusiva causa.
Devalcir Sonnemberg.
sonnem_berg@hotmail.com
Olá! você tem o texto? não poderia escaneá-lo?
Ou ele não está disponibilizado para isto?
Postar um comentário