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ESCOLA E SEUS MECANISMOS DE EXCLUSÃO AO LONGO DO TEMPO
sábado, 9 de janeiro de 2010Iandeci Lima Bonfim*
Com base no contexto histórico, é possível verificar que a exclusão das camadas no ambiente escolar se deu ao longo dos anos, principalmente com base nos métodos de educação tradicional e nova. E que as propostas pedagógicas baseadas na universalização do acesso as escolas eram elaboradas visando atender os interesses da classe dominante. Tendo em vista, que o grande desafio dos tempos atuais á a construção das novas estruturas que sustentarão os sistemas educativos, procurei neste artigo tratar do tema descrevendo o desenvolvimento histórico dos espaços escolares no Brasil, fundamentando minhas análises nas teorias educacionais abordadas por Savani no seu livro “Escola e Democracia: Polêmicas do nosso tempo” .
No século XVII as escolas funcionavam em espaços improvisados, geralmente nas casas das famílias ou dos professores e eram freqüentados quase que exclusivamente por crianças e jovens abastados. Na segunda metade do século XIX começa a aparecer questões relacionadas ao espaço escolar para abrigar a escola pública. Essas discussões tinham como objetivo tornar a escola mais eficiente e democratizar o acesso à educação. A Pedagogia Tradicional sofre crítica e passa a ser considerada inadequada por não conseguir realizar seu objetivo de universalização da educação. A partir daí surge uma teoria educacional que acredita no poder da escola e em sua função de equalização social. Essa Pedagogia Nova, que surge junto com o movimento do escolanovismo, vê a marginalidade do ângulo da rejeição. O marginalizado passa de ignorante para rejeitado. Mas a Pedagogia Nova, assim como a Pedagogia Tradicional, não escapou do fracasso, pois, entre outras razões, o seu alto custo tornava a sua implantação inviável.
Atualmente no Brasil os sistemas de matrículas estão praticamente universalizados, as crianças chegam às escolas, mas, muitas não permanecem tempo suficiente para terminar o Ensino Fundamental. Elas abandonam o curso não somente por motivo de fatores internos das instituições de ensino, mas também, por causa de suas condições materiais de vida. É notado que matriculas e vagas existem mais que suficientes, o problema está na qualidade de vagas, visto que, o entrave à universalização do ensino obrigatório está nas absurdas taxas de repetência e evasão.
O mais perverso da “democratização” de acesso às escolas públicas é que a maioria das pessoas que ingressam no sistema de ensino não são consideradas mais como excluídas e os indivíduos passam a ser responsáveis pelo seu fracasso escolar, então a escola segue excluindo, mas a faz de modo dissimulado, conservando no seu interior os excluídos e reservando a eles os setores escolares mais desvalorizados.
O cenário que acabei de traçar, é considerado um aspecto que estimulam a implantação de políticas públicas que visam amenizar este quadro de exclusão e desigualdade. A precariedade das condições sociais em que vive a maioria da população brasileira é um fato, mas, há uma grande variedade de propostas de como encaminhar esta situação. Alguns consideram que o Estado deve oferecer programas assistenciais nas áreas de educação, como por exemplo: alimentação, atendimento médico-odontológico etc. Outros argumentam que o Estado deve prestar essa assistência, mas não através da escola, sob o risco dessas funções, que são tidas como supletivas e compensatórias, ampliarem-se de tal forma que ela deixe de cumprir sua função primordial, a pedagogia.
Savani enxerga a educação compensatória como uma resposta não-crítica às dificuldades educacionais posta em evidencia pelas teorias críticos-reprodutivistas. Ele argumenta que:
“Tais programas acabam colocando sob a responsabilidade da educação uma série de problemas que não são especificamente educacionais, o que significa, na verdade, a persistência da crença ingênua no poder redentor da educação em relação à sociedade.” (SAVANI, 1985, p.38)
Concordo com Savani e acredito que as funções de outras naturezas podem ser assumidas pela instituição escolar, por imposição de contingências históricas e sociais, mas elas devem estar subordinadas à sua tarefa, que é a gestão pedagógica pela qual o ensino e aprendizagem se efetuam.
O grande desafio dos tempos atuais é a construção de novas estruturas que sustentarão os sistemas educativos, articulando na prática o conjunto de serviços e projetos necessários para garantir que as crianças e os jovens possam desenvolver-se integralmente.
Savani justifica um processo de ajuste da educação, na tentativa de reverter a tendência dominante proveniente do reformismo que acabou por prevalecer sobre o tradicionalismo, através de três teses que nas quais constituíram o esboço daquilo que ele denominou “teoria da curvatura da vara”:
“Creio ter conseguido fazer curvar a vara para o outro lado. A minha expectativa é justamente que com essa reflexão a vara atinja o seu ponto correto, vejam bem, ponto correto esse que está também na pedagogia tradicional, mas está justamente na valorização dos conteúdos que apontam para uma pedagogia revolucionária.”
(SAVANI, 1985, p. 61)
A escola precisa ser um ambiente onde crianças e adultos vivenciem experiências democráticas. É necessário propor uma Teoria Crítica Educacional que não esteja com os olhos fechados para as ferramentas pedagógicas manipuladas pela burguesia e imposta pelo sistema capitalista que vivemos, tomando como base a atitude de Savani, que puxa de forma proposital a vara para o lado oposto, com a esperança de que a vara venha para o centro, e que este seja o núcleo de uma pedagogia revolucionária.
FONTES:
SAVANI, Dermeval. Escola e democracia: teoria da educação, curvatura da vara, onze teses sobre educação e política – Coleção polêmicas do nosso tempo. ed. 8. São Paulo: Cortez/Autores associados, 1995.
FARIA FILHO, Luciano Mendes de et al. Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil. In:____Revista Brasileira. Mai./Jun./Jul./Ago, 2000. n. 14. p. 27.
______________________________________*Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
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RESENHA DO TEXTO: A escassez de recursos: o problema global dos meios
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010AUTOR: KOURGANOFF, Wladimir (1990)
TEXTO: A escassez de recursos: o problema global dos meios.
KOURGANOFF,Wladimir. A escassez de recursos: o problema global dos meios. In:____A face oculta da universidade. São Paulo: Universidade Estadual Paulista, 1990. p.73-82.
Iandeci Lima Bonfim*
No texto, o autor Wladimir Kourganoff aborda a carência de subsídios às universidades públicas na França, que por sua vez, acaba por gerar problemas que vão desde a superlotação das instalações à sobrecarga dos professores. A principal solução apontada é a redução do número de estudantes através de rígida “seleção” sem diminuir a verba concedida à Universidade, porém, este modelo está distante de solucionar a escassez de recursos.
Kourganoff aponta a tensão gerada pelo debate entre professores universitários e os responsáveis pela distribuição das verbas em redor de uma definição de proporções “normais”. De um lado os professores universitários denunciam a insuficiência de verbas destinadas ao ensino superior e à pesquisa, do outro, os ministros franceses e da Educação nacional mostram o aumento das verbas ao longo dos 20 anos, representando uma parcela cada vez maior das despesas do Estado. Enquanto se prolonga o debate sobre a definição do que seria considerado proporcionalmente normal entre as necessidades e meios, os problemas oriundos da falta de recursos como: superlotação das instalações, a sobrecarga dos professores, as filas nos restaurantes universitários e redução no número de estudantes através de uma rígida seleção vão se acentuando.
Dois modelos são apresentados como possíveis soluções à escassez de recursos: O da Grã-Betanha e o da Inglaterra, o primeiro refere-se a uma seleção e orientação mais seletiva enquanto que o segundo refere-se ao estudo superior de curta duração, ambos, longe de ser a solução definitiva para o problema.
Um outro fato importante que merece atenção, é a excessiva uniformidade na distribuição de recursos estabelecidos pelos tecnocratas, ameaçando gravemente o ensino superior e a pesquisa, impossibilitando a flexibilidade necessária à eficácia e criando a ilusão de economia.
Diante dos fatos, o autor afirma que o orçamento global do ensino superior depende de um equilíbrio precário entre diferentes forças políticas em jogo, e em particular, da importância relativa que os diferentes “grupo de pressão” da nação atribuem ao desenvolvimento da cultura, do ensino superior. Sendo assim, para combater a “escassez de recursos” se faz necessário o posicionamento dos professores universitários contra a excessiva uniformidade, além do combate das falsas economias.
Segundo a conclusão de Kourganoff, mesmo que sonhados recursos fossem colocados à disposição das universidades, não seriam suficientes para suprir as necessidades do ensino superior, pois existem outros problemas, o de natureza pedagógica e a relação entre ensino e pesquisa.
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* Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Iandecilima@gmail.com .
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RESENHA DO TEXTO: Os excluídos do interior
AUTOR: BOURDIEU, Pierre (1990)•.
TEXTO: Os excluídos do interior
BOURDIEU, Pierre. Os excluídos do interior. In:____NOGUEIRA, Maria Alice; CATANI, Afrânio (orgs). Escritos da Educação. Petrópolis: Vozes, 1990. p. 218-227.
Iandeci Lima Bonfim *
Pierre Bourdieu nasceu no sudeste da França em 1930, foi catedrático de sociologia no Collége de France e considerado um dos intelectuais mais influente de sua época, estudou Filosofia, Etnologia e teve como objetivos de estudo a educação, a cultura, a literatura, a arte, os meios de comunicação e a política, é autor, entre outras obras, de Les Héritiers (1964), La Reprodução (1970) e La Distinction (Final dos anos 70). Bourdieu faleceu em Paris, no ano de 2001, aos 71 anos.
No texto “Os excluídos do interior”, Bourdieu toma os Liceus como campo empírico de estudo, discute a clivagem entre escolarizados e os excluídos da escola, mostrando que a diminuição das barreiras formais no sistema de ensino e conseqüente ampliação do acesso não representam superação das tradicionais condições sociais, mantendo-se assim, os mecanismos de desigualdade. Em conseqüência disso, os mais desfavorecidos estão dentro do sistema iludidos sobre suas reais possibilidades de superação das condições sociais.
Bourdieu faz uma comparação entre antes e depois dos anos 50: antes as escolas de ensino secundário eliminavam de forma prematura e desumana as crianças oriundas de famílias culturalmente desfavorecidas e as seleções tinham como base a situação social; após os anos 50, crianças e jovens provenientes de pais com profissões manuais (pequenos comerciantes, os artesões, agricultores, operários de indústrias) passaram a ter acesso a escolas de ensino secundário, ocasionando o aumento de concorrência e investimentos por parte das categorias mais favorecidas. Mas, aos poucos os novos beneficiários perceberam que o acesso ao ensino secundário não lhes garantiam êxito nele e nem tão pouco, os certificados escolares, lhes garantiam acesso às posições sociais por eles almejadas.
O autor considera que este processo de democratização do ensino provoca um caráter de responsabilização do individuo, pois após receber o seu diploma desvalorizado, o mesmo se acha responsável por não ter utilizado a chance que lhe foi dada, tornando essa exclusão mais cruel do que e a exclusão ocorrida antes dos anos 50. Isso gera uma disfunção que serve como base da democratização, e que tem como elementos mecanismos insensíveis e inconscientes tanto da sociedade , da escola, do professor, quanto do próprio aluno que leva ao reconhecimento de que este indivíduo não está em sintonia com o mundo escolarizado.
Bourdieu cita que “O paradoxo do mentiroso não é nada ao lado das dificuldades que provoca a mentira a si mesmo.” (...) “Aquele que tende a fazer sua a mentira que a instituição proclama a seu respeito está votado, por definição, à dupla consciência...”.
Desse modo, o mecanismo de diferenciação de oportunidades e capital cultural entre alunos “bem nascidos” e aqueles que são procedentes de famílias mais desprovidas, fazem com que as mais altas instituições escolares continuem sendo exclusivas como foram no passado e o sistema de ensino, amplamente aberto a todos e reservado a poucos, consiga a façanha de reunir as aparências da “democratização” com a realidade da reprodução que se realiza em um grau superior de dissimulação. Bourdieu associa o resultado da produção escolar dos alunos ao capital cultural familiar. Em contrapartidas e essa conciliação surgem manifestações dos estudantes dos liceus, e que nos últimos 20 anos tem tido como objeto os estabelecimentos escolares mais deserdado.
A escola passa agora a excluir de maneira continua mantendo internamente aqueles que excluem, por essa razão, esses excluídos do interior vive um dúvida: aceitar a ilusão que ela propõe e aceitar a sua sentença, entre a submissão ansiosa e a revolta impotente.
“Os excluídos do interior” é um texto empolgante e de fácil compreensão, por se tratar de um tema bastante atual, que apesar de relatar a realidade do sistema de ensino francês e o seu processo de exclusão através da inclusão, nos leva à reflexão do sistema de ensino brasileiro.
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* Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Iandecilima@gmail.com .
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RESENHA DO TEXTO: A escassez de recursos: o problema global dos meios.
AUTOR: BOURDIEU, Pierre (1998).
TEXTO: A escassez de recursos: o problema global dos meios.
BOURDIEU, Pierre. O mito da “mundialização” e o estado social europeu. In:____Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p. 42-61.
Iandeci Lima Bonfim*
Pierre Bourdieu é um dos mais proeminentes pensadores e um dos últimos remanescentes dos intelectuais engajados nos movimentos dos anos 60 e 70. Nasceu na França em 1930, estudou Filosofia, Etnologia e faleceu aos 71 anos em Paris (2002). Foi titular da cadeira de Sociologia no Collége de France e suas obras têm como objetivos de estudo a educação, a cultura, a literatura, a arte, os meios de comunicação e a política. Bourdieu tem como principais obras: Les Héritiers (1964), La Reprodução (1970) e La Distinction (Final dos anos 70).
No texto “o mito da mundialização e do Estado social europeu”, escrito para a intervenção na Conferencia Geral dos Trabalhadores Gregos em Atenas (1996), Bourdieu analisa a postura ambígua assumida pelo Estado e também pelos intelectuais a respeito de uma política de internacionalização e invasão neoliberal que assola o mundo, desconstruindo o “mito da mundialização”, deixando claro os malefícios da ordem neoliberal.
O neoliberalismo baseia-se em um trabalho de imposição construído ao longo do tempo, que conta com a contribuição passiva dos jornalistas, intelectuais e cidadãos comuns. A mídia, seja através de jornais escritos ou televisionados, exerce também uma forte influência da não oposição da visão neoliberalista. A autonomia do Estado depende de seu tempo, de sua força e de suas conquistas sociais e as tradições estatais contribuem para que este resista às crenças e à política neoliberal.
Bourdieu discorre que o neoliberalismo apesar da aparência moderna tem suas bases nos ideais arcaicos do capitalismo, enfeitado de signos da modalidade. Na verdade é a volta do capitalismo radical onde a única lei é o lucro máximo. Nessa teoria econômica não é levado em conta à avaliação dos custos sociais ao longo prazo, como por exemplo: demissões, sofrimentos, doenças, suicídios, alcoolismos, consumo de drogas, violência familiar etc.
O autor argumenta que a globalização é o mito justificador que se realizam principalmente nos mercados financeiros, o que vai influenciar na política de dependência do Estado. Segundo ele, “os Estados nacionais estão minados por fora pelas instituições financeiras e por dento pelos cúmplices dessas forças financeiras”. Seria necessário inventar um novo internacionalismo, criando novas instituições capazes de controlar essas forças do mercado financeiro, instituindo na incorporação aos cálculos econômicos os custos sociais das decisões econômicas.
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* Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Iandecilima@gmail.com .Postado por Iandeci Bonfim às 14:40 0 comentários
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RESENHA DO TEXTO: Cota racial e estado: abolição do racismo ou direito de raça?
AUTOR: AZEVEDO, Célia Maria Marinho de. (2004).
TEXTO: Cota racial e estado: abolição do racismo ou direito de raça?
AZEVEDO, Célia Maria Marinho de. Cota racial e estado: abolição do racismo ou direito de raça? In:____Caderno de Pesquisa. vol. 34. n. 121. jan-abr. 2004. p. 213-239.
Iandeci Lima Bonfim [1]
Célia Maria Marinho de Azevedo é historiadora, professora doutora do Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, especialista em história do racismo e autora de importantes livros sobre o tema como “Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites (século XX)” que aborda interessantes esclarecimentos sobre a divisão da sociedade em “raça” e o desenvolvimento do racismo ao longo dos tempos.
Neste artigo, a autora Célia Maria M. de Azevedo analisa a proposta de racialização da população brasileira pelo Estado com a pretensão de promover programas de ação afirmativa, visando atender aqueles que auto denominam-se negros. Aborda o ressurgimento da noção de raça, levando em conta as dificuldades de se definir quem é negro no Brasil. Examina o sucesso do modelo de cota racial dos Estados Unidos e avalia até que ponto a cota racial aplicada aos empregos e universidades pode ser colocada como única opção para os que pretendem abolir o racismo na sociedade brasileira.
A cota racial no Brasil levanta opiniões contrárias, uns acreditam no sucesso dessa política oriunda dos Estados Unidos, enquanto que outros desconfiam daquilo que pode ser considerado “importação de idéias” à nossa cultura. Apesar desses debates, é verificado que as políticas de ação afirmativa nos estados Unidos beneficiam principalmente pessoas pertencentes à classe média negra, deixando de lado o problema da pobreza que abrange a maior parte da população negra americana, levando ao questionamento da notoriedade dos sucesso das cotas.
Célia Maria, contrapõe-se ao fato de que o único modo de combater o racismo é estabelecer políticas afirmativas para contemplação do “grupo racial negro”, através de “discriminação positiva”. Segundo ela, o racismo não deriva da raça, é o racismo que cria a raça, é o racismo que opera processo social e cultural da racialização que atinge pleno sucesso quando apoiado formalmente pelo Estado. A maior problemática a respeito da introdução da cota racial na sociedade brasileira é a definição de quem é negro no Brasil, tendo em vista que o Estado brasileiro nunca obrigou a população a definir-se racialmente em termos formais, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, onde suas categorias de raça são implantadas por lei.
A autora critica a postura de alguns defensores das políticas afirmativas, citando Kabengele Munanga, que em seus discursos afirma que a Constituição de 1988 determina a “descriminação positiva”, com vista a amparar medidas legislativas e administrativas destinadas a garantir a igualdade na sociedade brasileira. Para ela, o texto da Constituição possui artigos que proíbem discriminação de qualquer tipo e define a prática de racismo como crime inafiançável e imprescritível, não encontrando nada no texto constitucional que permita a implantação legal de “discriminação positiva”.
Célia conclui o artigo afirmando que não se pode pretender combater o racismo com a racialização oficial da população. E que para isso é necessário desconstruir a ficção cientifica das raças, imposta mais uma vez, agora disfarçada de “discriminação positiva”.
Em suma, o texto trata de um tema atual envolvendo opiniões diversas, onde a autora tem o cuidado de fundamentar teoricamente as discussões que dão base a sua postura com relação ao tema polemico sobre cota racial no Brasil.
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[1] Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
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RESUMO DO TEXTO: O horizonte da modernidade está se deslocando.
HABERMAS, Jürgen . O horizonte da modernidade está se deslocando. In:____Pensamentos pós metafísico estudos filosóficos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1990. p.11-17.
O autor questiona a existência de semelhanças entre as rupturas que ocorreram nas artes e as rupturas dos movimentos filosóficos, fazendo uma crítica ao discorrer que enquanto o platonismo, racionalismo, aristotelismo e empirismo, sobreviveram por séculos, os movimentos atuais andam muito acelerado. No século XX a filosofia é sustentada por quatro movimentos filosóficos: filosofia analítica, fenomenologia, marxismo e estruturalismo, que se diferenciam quanto a sua composição, sua forma de desenvolvimento e ao seu peso. O pensamento pós metafísico, a guinada lingüística, o modo de superar a razão e a superação do logocentrismo constituem os motivos de pensamentos que caracterizam a ruptura com a tradição. Ao fazer um breve relato das transições entre esses quatro movimentos filosóficos do século XX, baseado nas correntes filosóficas, o autor chega à conclusão de que tudo se reduz a ciência.
Palavras-chave: Filosofia – Rupturas – Modernidades – Ciências.
[1] Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
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