RESENHA DO TEXTO: A escassez de recursos: o problema global dos meios.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

















AUTOR: BOURDIEU, Pierre (1998).
TEXTO: A escassez de recursos: o problema global dos meios.




BOURDIEU, Pierre. O mito da “mundialização” e o estado social europeu. In:____Contrafogos: táticas para enfrentar a invasão neoliberal. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1998. p. 42-61.



Iandeci Lima Bonfim*




Pierre Bourdieu é um dos mais proeminentes pensadores e um dos últimos remanescentes dos intelectuais engajados nos movimentos dos anos 60 e 70. Nasceu na França em 1930, estudou Filosofia, Etnologia e faleceu aos 71 anos em Paris (2002). Foi titular da cadeira de Sociologia no Collége de France e suas obras têm como objetivos de estudo a educação, a cultura, a literatura, a arte, os meios de comunicação e a política. Bourdieu tem como principais obras: Les Héritiers (1964), La Reprodução (1970) e La Distinction (Final dos anos 70).

No texto “o mito da mundialização e do Estado social europeu”, escrito para a intervenção na Conferencia Geral dos Trabalhadores Gregos em Atenas (1996), Bourdieu analisa a postura ambígua assumida pelo Estado e também pelos intelectuais a respeito de uma política de internacionalização e invasão neoliberal que assola o mundo, desconstruindo o “mito da mundialização”, deixando claro os malefícios da ordem neoliberal.

O neoliberalismo baseia-se em um trabalho de imposição construído ao longo do tempo, que conta com a contribuição passiva dos jornalistas, intelectuais e cidadãos comuns. A mídia, seja através de jornais escritos ou televisionados, exerce também uma forte influência da não oposição da visão neoliberalista. A autonomia do Estado depende de seu tempo, de sua força e de suas conquistas sociais e as tradições estatais contribuem para que este resista às crenças e à política neoliberal.

Bourdieu discorre que o neoliberalismo apesar da aparência moderna tem suas bases nos ideais arcaicos do capitalismo, enfeitado de signos da modalidade. Na verdade é a volta do capitalismo radical onde a única lei é o lucro máximo. Nessa teoria econômica não é levado em conta à avaliação dos custos sociais ao longo prazo, como por exemplo: demissões, sofrimentos, doenças, suicídios, alcoolismos, consumo de drogas, violência familiar etc.

O autor argumenta que a globalização é o mito justificador que se realizam principalmente nos mercados financeiros, o que vai influenciar na política de dependência do Estado. Segundo ele, “os Estados nacionais estão minados por fora pelas instituições financeiras e por dento pelos cúmplices dessas forças financeiras”. Seria necessário inventar um novo internacionalismo, criando novas instituições capazes de controlar essas forças do mercado financeiro, instituindo na incorporação aos cálculos econômicos os custos sociais das decisões econômicas.


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* Bacharel em Ciências Estatísticas pela Escola Superior de Estatística da Bahia (ESEB); Pós-Graduada (Latu Sensu) em Metodologia do Ensino, Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Iandecilima@gmail.com .






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